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A
cada instante surgem fatos na mídia que expõem a preocupante incerteza
sobre essa imensa faixa de terra, chamada Amazônia, que vai
desde infindáveis contendas em torno de polêmicas demarcações de
áreas indígenas, passando pelas tíbias e procrastináveis ações
de nossos dirigentes, fazendo vista grossa para sombrios e dissimulantes
comentários a respeito de invasões de nosso território sob a forma
de ocupação não-convencional, até a dissimulada usurpação de parte
dessa área, como decorrência da incapacidade técnica, física e econômica
para administrar tamanho território selvagem, através da ignota complacência
dos povos indígenas, fraudulentamente subtraídos em tenebrosas transações,
como diz a canção popular.
A
voluptuosa cobiça que abundantes riquezas mineral, vegetal e animal,
ali existentes, exercem sobre poderosos grupos internacionais mal-intencionados,
é um dos terríveis e mediatos desafios com que defrontamos. A decantada
escassez de recursos hídricos a nível mundial também tem servido
de pano de fundo para pretensas intervenções vigilantes e preservadoras
de grupos ambientalistas de ocasião.
Estes,
juntamente com aqueles, são exemplos típicos de notícias que povoam
os informativos, incomodam e desarmonizam as relações sócio-comunitárias
da região e, por via de conseqüência, traz a todos profunda inquietação.
Ao
contrário de refutarmos, devemos ponderar que, sendo reais as ameaças,
quaisquer dos exemplos citados e outros de igual teor, de modo geral,
não têm merecido da sociedade brasileira maior atenção, observando-se
mesmo certo descaso, porquanto, na interpretação simplista de uns,
se afiguram ações de difícil consecução. Imaginam que tudo não
passe de mera ficção, de ilusórias ameaças ou de falsos indícios,
de certa maneira, irrealizáveis, não sendo raro os que se preocupam
tornarem-se objeto de inconseqüente ridicularização.
Tamanha
indiferença produz, nos mais inconformados, desconfortável frustração,
fere o orgulho pátrio dos verdadeiros nativistas, tripudia sobre uma
indelegável soberania e espezinha o amor-próprio do povo brasileiro.
O inconformismo está na medida em que isso não deveria ser óbice
para que os verdadeiros responsáveis pela integridade de nosso território
assumissem definitivamente o papel que lhes compete no adequado enfrentamento
da questão.
Face
à conjugação de fatores extremamente inquietantes e circunstâncias
que pouco facilitam a permanente vigilância, – uma área territorial
imensa e de baixa densidade demográfica – seria pouco prudente e
mesmo arriscado continuar expondo-se deliberada e infinitamente a tal
situação, se sabemos que invasões por posse de terra ocorrem de forma
intempestiva.
A
sabedoria popular costuma dizer que “não se dá sopa para o azar”.
Se determinadas ações forem movidas pelo exclusivo interesse da terra
como meio de sobrevivência, a intenção, em alguns casos, pode ser
até legítima, mas jamais legal. Ao arrepio da lei nenhuma atitude
dessa natureza, ainda que revestida de autenticidade, lograria franca
simpatia. Pior, quando dadas situações são camufladas por manobras
espúrias, politicamente incorretas, mas sempre peremptoriamente negadas
pelos oportunistas e inimigos de plantão, a questão torna-se ainda
mais escabrosa.
Nossa
longa extensão fronteiriça, insuficientemente vigiada, e uma delicada
vizinhança com países em permanentes conflitos internos acentuam,
ainda mais, a precariedade do sistema defensivo de fiscalização, pontual
ou geral. Além disso, fomenta a sanha de inescrupulosos e favorece
a incontrolável burla da lei, em todos os sentidos, quer por agentes
internos, quer por grupos habilmente articulados no exterior. Fatores
negativos dessa magnitude contribuem de forma nociva e intranqüilizante
para algo mais terrível e desalentador.
Torna-se
absurdo e deprimente a condescendência com que assistimos artífices
de escabrosas ilegalidades subverterem a lei, dando a uns a eterna garantia
da inconseqüente imputabilidade e a outros a da própria impunidade.
Sem muito esforço de imaginação, pode-se perceber a quem nos referimos,
pois fatos do cotidiano, inafortunadamente, melhor ilustram os casos.
No
presente, aprofundarmos em apreciação de tais fatos lesivos, que povoam
o dia a dia de nossos noticiários, seria perder o foco mais importante
de nossa questão fulcral: a ocupação racional da Amazônia.
Haverá de existir outros foros apropriados para o debate destas questiúnculas,
restando-nos, na oportunidade, fazer tão somente um mero registro das
vilezas.
Tudo
é extremamente grave e inquietante e, pior, com parcos recursos disponíveis
e uma abominável indiferença, que não servem como justificativa,
revela-se que efetivamente pouco se fez ou nada se fará capaz de reverter
esse estado de coisas. O que nos resta, então? Rendermos ao deletério
destino ou lutar para superá-lo? Como verdadeiros cidadãos brasileiros,
sem ranço de xenofobia, entendemos que somente a nós cabe propugnar
para reverter o sombrio quadro de incertezas.
Apelando
para a tolerância de quem se dispôs até aqui a nos acompanhar nesta
exposição, esboçaremos, a seguir, certos conceitos, que julgamos
necessários para melhor alinhar nosso raciocínio.
Vivemos
em um sistema federativo, que alicerça a unidade nacional, onde qualquer
patrício tem exatamente a mesma garantia de ser reconhecido como um
brasileiro, como um irmão.
Tanto
os do norte, quanto os do sul, do leste, do ocidente ou do centro, não
se sentem mais ou menos brasileiro por estar inserido nesse ou naquele
contexto. O sentimento de brasilidade é igualmente dividido por todos,
em que o apelo pela integração fala mais forte, indistintamente para
todos.
É
privilégio incomum para um país continental, com tamanha diversidade
étnica, cultural e social, ter uma só língua pátria, servindo de
suporte para amalgamar as diferenças e, sobretudo, não defrontarmos
com fronteiras para administrar a fraternidade.
Devemos,
por conseguinte, estar sempre atentos, seja através de grandes segmentos
da sociedade ou a nível individual, para oferecermos sugestões, onde
agora ousaremos afirmar que, socialmente, ao contrário da ciência
exata, dividir não significa necessariamente fracionar o inteiro em
partes menores e frágeis, mas ampliar economicamente as oportunidades
de crescer e de fortalecer cada segmento deste todo, como adiante destacaremos.
O
inesperado sucesso nacional ou mesmo mundial de qualquer brasileiro,
que veio ao mundo no mais recôndito sertão deste país plurimatizado
ou em uma cidade de maior expressão, o faz pessoa respeitada e admirada
por todos e enche-nos de orgulho e satisfação, face à comoção que
uma sensacional conquista provoca em nossos corações. Na medida em
que o sucesso atinge o âmago da alma brasileira, nata ou adotiva, recebe
dos irmãos o imediato reconhecimento e a terra natal destes verdadeiros
heróis nacionais se converte em uma só: nosso querido Brasil.
Não
faz diferença a cidade ou o estado de origem de tais notórios cidadãos,
tempos atrás, anônimos personagens da vida mundana, mas apenas saber
que, ao desabrocharem para o mundo, eram nossos irmãos brasileiros.
Houvessem
nascido no atual Estado do Amazonas ou em um virtual futuro Estado do
Parintins, a reação seria a mesma. A observação serve simplesmente
para ilustrar que neste País não existe a menor hipótese de preconceito,
em face do chão em que nascemos, pois felizmente tudo é Brasil,
pátria amada, idolatrada.
Assim
posto, vamos ao cerne da questão. Salta-nos os olhos, quando vemos
na carta geográfica da região, a imensidão dos espaços entre as
poucas e dispersas cidades ali assinaladas. Fica difícil imaginar o
ato de administrar com zelo e descortino, infindáveis vazios, alguns
dos quais o homem literalmente jamais colocou os pés, de que é exemplo
a maior parte da densa Floresta Amazônica. Guias experimentados relatam
que, não raras vezes, por ali se perdem, tamanho o espesso da mata
e o colosso da superfície quase toda praticamente inexplorada.
Ao
longo do tempo, diversos estados brasileiros tiveram suas áreas territoriais
desmembradas por inúmeras razões. Cremos que isto se aplica de maneira
adequada à Região Amazônica, onde o estudo da partilha territorial
deverá ser amplo e cuidadosamente conduzido pelos estados envolvidos.
Sem
imposições de qualquer natureza, caberá aos habitantes locais, campesinos
e urbanos, humildes e ricos, jovens e mais vividos, estudantes e mestres,
homens e mulheres, postularem e legitimarem suas idéias e aspirações,
através, por exemplo, de consulta plebiscitária e ao poder constituído
central criar os meios e as condições necessárias para que se objetivem
as intenções.
Novas
unidades federativas, que melhor redistribuam o gigantesco espaço selvagem,
quase inabitado, – dentro desta apresentação, não cremos ser oportuno
defini-las ou quantificá-las, mas apenas idealizá-las, ficando a tarefa
a mercê dos envolvidos – com seus respectivos governos estaduais,
representações legislativas, as diversas estruturas orgânicas indispensáveis
à constituição de uma sociedade organizada, a escolha de cidades
de maior relevância local para serem guindadas à condição de capitais,
são algumas das preocupações com que fatalmente todos os interessados
logo se defrontarão.
São
questões fundamentais e, mais que tudo, inadiáveis. Marchas e contramarchas
inevitavelmente sobrevirão. Porém, o poder de superação se afirmará
mais alto, porque a causa é nobre e o nosso Brasil merece. Aliás,
na verdade, todos merecemos.
Uma
ampla mobilização nacional dará o suficiente respaldo ao projeto
e será o verdadeiro arcabouço deste movimento. Estaremos, finalmente,
viabilizando a definitiva integração de nossa Amazônia, com
todas as suas diversidades; faremos real a inexorável marcha para o
futuro de uma nação social e economicamente viável, com uma gama
enorme de oportunidades, democrática e indistintamente acessível a
todos os brasileiros; teremos a rara oportunidade de socializar os diversos
povos nativos, mas, acima de tudo, haveremos de respeitar, fora de qualquer
questão, a cultura de nossas raízes mais primitivas.
Empreendimento
de tal jaez demanda recursos financeiros que, em princípio, nosso Tesouro
Nacional não irá dispor. Não obstante, como acima descrito, não
podemos esquecer que abundam riquezas na região e, de forma racional,
podem ser capazes de lhe dar sustentação. Assim, títulos dos recém
criados Tesouros Estaduais, com lastros em suas respectivas riquezas
potenciais, servirão, por exemplo, para financiar parte da empreitada.
Aporte
de recursos, através de projetos de investimento, junto a empresas
interessadas em ali se estabelecer, bem como linhas de crédito intermediadas
pelas mais diversas agências de fomento, serão alternativas de mercado,
sobre as quais os futuros governos estaduais irão se apoiar.
É
justo imaginar que algo dessa magnitude fatalmente atrairá todo tipo
de oportunista. Eles também fazem parte do processo. Entretanto, os
mais afortunados talvez não sejam os imediatistas, mas os que acreditem
no futuro de suas gerações.
Fenômenos
como o da Corrida do Ouro, comprovam que a riqueza fugaz jamais superou
a verdadeira Conquista do Oeste americano. Quem apostou na terra, plantou
para a posteridade. Fez florescer cidades, fez a verdadeira riqueza
brotar e fez aquele País crescer. O Distrito Federal – com Brasília
e seu emergente entorno – se insere perfeitamente nessa mesma linha
de raciocínio. Mais recentemente, o Estado do Tocantins veio reafirmar
nossa convicção.
Uma
palavra de advertência aos que buscam somente levar vantagem, nada
constroem e, não raro, até mesmo destroem. Não podemos tolerar o
mal-intencionado, da mesma forma que devemos punir severa e exemplarmente
o criminoso. São premissas indispensáveis para se dar credibilidade
ao projeto.
O
aforismo popular diz que “a fé remove montanhas e a esperança é
a última que morre”. Então, cabe-nos ter fé que a idéia seja crível
e esperança que as pessoas tempestivamente assimilem os objetivos:
integrar a Amazônia e ocupá-la racionalmente.
Na
verdade, o que mais se busca é sensibilizar os brasileiros para o inexorável:
ou superamos nossa inércia, ou legaremos às futuras gerações profundas
decepções. Pensamos que qualquer sociedade possa e deva aceitar idéias
de vanguarda para superar os grandes desafios, caso entendam que o futuro
reserva um papel importante para esta nação no contexto global.
Por
derradeiro, nossa intenção não é priorizar uma idéia, pensando
haver descoberto um verdadeiro ovo de Colombo, mas simplesmente deitar
luzes, capazes de criar mentalidade moderna e avançada, visando enfrentar
o gravíssimo problema de uma Amazônia eternamente cobiçada e praticamente
abandonada. Outras opiniões certamente haverão de existir mais robustas,
com mais peso e mais consistência; poderão aflorar, com mais conteúdo
e menos equívocos. Entretanto, dizia o saudoso e consagrado maestro
alemão Herbert von Karajan, diretor da Filarmônica de Berlim: “Se
você fizer, pode errar; mas, se não fizer, já errou”.
É
importante considerar que o erro é parte essencial da natureza humana,
e nossas falhas fortuitas, certamente, podem ser debitadas a esse vezo
da criatura. Devemos estar atentos, isto sim, com o intuito de minimizá-las.
Motiva-nos
saber que se não esmorecermos, resultados positivos certamente ocorrerão,
com a devida tolerância dos homens e a suprema proteção do Grande
Arquiteto do Universo, que tudo gera e dirige e que há de sempre proteger
os justos e bem intencionados. Todo cidadão, com acurado senso cívico
e humanitário, não se deve furtar a propor idéias, caso as julguem
capazes de contribuir para a construção de um porvir mais digno e
pleno de esperança.
Pedro Luiz
Barros Caruso - MI - CIM 174.076
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